sexta-feira, 5 de junho de 2009

Apesar de ser um texto escrito como mensagem para o Ano Novo, achei por bem postá-lo hoje, pois considero que é muito importante para reflexão em qualquer dia e hora.

O vôo da águia

Affonso Romano de Sant'Anna

Já que estamos nesse clima de recomeçar, com a alma limpa para novas coisas, vou iniciar transcrevendo algo que recebi. Havia pensado em outra crônica, coisa tipo "propostas para um novo milênio", como o fez Ítalo Calvino. Mas à$ vezes um texto parabólico, elíptico, pode nos dizer mais que outros pretensamente objetivos. Ei-lo:

"A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.
Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.

Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.

A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos.

"Esse texto foi mandado como um cartão de fim de ano pela Rose Saldiva, da Saldiva Propaganda. Tem mais um parágrafo explicitando, comentando essa parábola e o titulo geral é "Renovação".

Achei que você ia gostar de tomar conhecimento disto, sobretudo quando janeiro nos inunda com sua luz.

Este texto vale mais que mil ilustrações.

Sei como é difícil uma nova ou surpreendente idéia para cartão de fim de ano. Mas esse, além de bater fortemente em nosso imaginário, dispara em nós uma série de correlações e desdobramentos.

A: abertura é seca e forte. Não há uma palavra sobrando. Parece as batidas do destino na Quinta Sinfonia de Beethoven. Releiam. "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.” ·Já li em algum lugar que Jung dizia que, em torno dos 40, alguma coisa subterrânea começa a ocorrer com a gente e os seres humanos sentem que estão no auge de sua força criativa. É quando podem (ou não) entrar em contato com forças profundas de sua personalidade.

Já ouvi de especialistas em administração de empresas que tem uma hora em que elas começam a crescer e seus dirigentes têm que tomar uma decisão — ou fazem com que cresçam de vez assumindo mais pesados desafios ou, então, fecham, porque ficar estagnado é apenas adiar a morte.

Já mencionei em outras crônicas o personagem Jean Barois (de Roger Martin du Gard) que fez um testamento aos 40 anos, quando achava que estava no auge de sua potência intelectual, temendo que na velhice, carcomido e alquebrado, fizesse outro testamento que negasse tudo aquilo em que acreditava quando jovem. Com efeito, envelhecendo, fez realmente outro testamento que desautorizava e desmentia o anterior. É que sua perspectiva na trajetória da vida mudara, como muda a de um viajante ou a do observador de um fenômeno.

O ano está começando.

Mais grave ainda: um século está se iniciando.

Gravíssimo: mais que um ano, mais que um século, um novo milênio está se inaugurando.

Três vezes Sísifo: o ano, o século, o milênio.

Sísifo — aquele que foi condenado a rolar uma pedra montanha acima, sabendo que quando estivesse quase chegando no topo — cataprum!... a pedra despencaria e ele teria que empurrá-la, de novo, lá para o alto.

Pois bem: "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Nesta idade suas unhas estão compridas. Não conseguem mais agarrar as presas das quais alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.”

Nossa sociedade pensou ter inventado uma maneira de resolver, nos seres humanos, o drama da águia: a cirurgia plástica. Silicone aqui e acolá, repuxar a pele acolá e aqui, pintar e implantar cabelos. Isto feito, a águia sai flanando pelos salões, praias, telas, ruas, escritórios e passarelas.

Mas aquela outra águia prefere uma solução que veio de dentro. Talvez mais dolorosa. Recolher-se a um paredão, destruir o velho e inútil bico, esperar que outro surja e com ele arrancar as penas, num rito de reiniciação de 150 dias.

Então a águia, digamos, acabou de descasar.

(Tem que redimensionar seu corpo e seus desejos, desmontar casa e sentimentos, realocar objetos e sensações, reassumir filhos.)

Então a águia, digamos, acabou de perder o emprego.

(Tem que descobrir outro trajeto diário, outras aptidões, enfrentar a humilhação.)

Então, a águia,digamos, acabou de mudar de país.(A crise ou o amor levou-a a outras paragens, tem que reaprender a linguagem de tudo e reinventar sua imagem em outro espelho.)

Então, a águia, digamos, acabou de perder alguém querido.

(É como se uma parte do corpo lhe tivessem sido arrancada, sente que não poderá mais voar como antes, que o azul lhe é inútil.)

Então, a águia, digamos, está numa nova situação em que está sendo desafiada a mostrar sua competência.

(Tem medo do fracasso, acha que não terá garras nem asas para voar mais alto.)

Então, a águia, digamos, andou olhando sua pele, sua resistência física, certos achaques de velhice.

Pois bem. Há que jogar fora o bico velho, arrancar as velhas penas, e recomeçar.

Época de metamorfose.Os estudiosos da metamorfose dizem que não apenas larvas se transformam em borboletas. Para nosso espanto as próprias pedras passam também por silenciosas metamorfoses.

Enfim, parece que estamos condenados à metamorfose.

Morrer várias vezes e várias vezes renascer. Até que, enfim, cheguemos à metamorfose final, onde o que era sonho e carne se converte em pó.
Mas que fique sempre no azul o imponderável vôo da águia.

Texto extraído do site http://www.releituras.com/

quinta-feira, 4 de junho de 2009

POEMA DE UM AMIGO APRENDIZ


Autor: Padre Zézinho


QUERO SER O TEU AMIGO
NEM DE MAIS E NEM DE MENOS
NEM TÃO LONGE NEM TÃO PERTO.
NA MEDIDA MAIS PRECISA QUE EU SOUBER.

MAS AMAR-TE, SEM MEDIDA,
E FICAR NA TUA VIDA
DA MANEIRA MAIS DISCRETA QUE EU SOUBER.
SEM TIRAR-TE A LIBERDADE.

SEM JAMAIS TE SUFOCAR.
SEM FORÇAR A TUA VONTADE.SEM FALAR
QUANDO FOR HORA DE CALAR,
E SEM CALAR, QUANDO FOR HORA DE FALAR.

NEM AUSENTE NEM PRESENTE DEMAIS,
SIMPLESMENTE, CALMAMENTE, SER-TE PAZ.

É BONITO SER AMIGO.
MAS, CONFESSO,
É TÃO DIFÍCIL APRENDER...!!!
E POR ISSO
EU TE SUPLICO PACIÊNCIA.

VOU ENCHER ESTE TEU ROSTO
DE LEMBRANÇAS...!!!
DÁ-ME TEMPODE
ACERTAR NOSSAS DISTÂNCIAS...!!!
Trago esse Poema de Silvia Schmidt, poetisa que muito admiro, para os meus amigos os quais prezo muito, e por valorizar cada amizade conquistada ao longo dos anos.
Com um beijo:

Amigos São Assim

Quero contigo dividir segredos,
Abrir-te inteiro este meu coração.
Quero apoiar-te em tempos de aflição,
Quero contar-te todos os meus medos.

Quero abraçar-te doce e fortemente
Quando chorares de alegria ou dor.
Quero que sintas todo o meu amor,
Quero manter-me sempre aqui presente.

Fala comigo quando precisares:
Entenderei a hora em que calares,
E esperarei que fales novamente.

No teu silêncio escutarei tua alma.
Eu quero ser presença que te acalma,
E tua presença quero eternamente.

Silvia Schmidt

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Esse poeta é de grande valor no mundo da Poesia e por isso estou postando no meu Blog esse seu Poema que achei belíssimo.Tenho orgulho de ser prima da esposa dele.
Á Jairo a minha admiração


À BEIRA-MAR
Jairo Nunes Bezerra

Em mais um fim de radiante entardecer
Caminhei célere pela beira-mar...
Prevaleceu o insano desejo de te ver,
Ante a aproximação do luar!

E na prevalência da solidão crucial,
À proporção que a onda me borrifava,
No dilatado espaço exponencial,
A saudade de ti mais se ampliava!

E desejei com vivacidade a tua presença,
Que finalizasse a reinante desavença,
Reinante no choque das águas com a areia!
Mas não prevaleceu tal ensejo

E tristonho na visão do céu chuvas prevejo,
Que irão mais te distanciar minha sereia!

domingo, 31 de maio de 2009

Uma das coisas que mais me emocionam no caráter de Deus é ver o quanto temos dEle em nós, do quanto nos fez parecidos a Ele, embora estejamos longe, muito longe da perfeição.
Através da história de Israel podemos nos encontrar no coração de Deus, no quanto amou, se decepcionou, perdoou, insistiu, sendo fiel a uma promessa acima de tudo. Podemos perceber Sua sensibilidade, quase que fragilidade diante de um povo rebelde, instável de uma geração a outra. Vemos assim um Ser humano, como cada um de nós e essa semelhança para com Ele nos aproxima dEle, pois não precisamos temer o que conhecemos.
O benefício de Deus nas nossas vidas é resultado do quanto conhecemos dEle e das afinidades que temos para com Ele. As pessoas não precisam ser especiais ou extraordinárias para obterem o melhor, elas precisam simplesmente acreditar e guardar no coração essa crença aconteça o que acontecer. Elas precisam segurar na mão de Deus e apertar bem forte, não soltar segundo as circunstâncias. Os que acreditam e agem assim caminham ao lado dEle, são pessoas à parte e onde quer que passem os outros perceberão. São privilegiadas e felizes.
Eu já me perguntei de onde vem tanto desespero no mundo. Percebi então, através das minhas próprias experiências, problemas vividos e vencidos, que o que diferencia um vitorioso de um sem esperança é a visão que têm de Deus. Ele me dá vitórias a cada luta, sendo eu humana e frágil, simplesmente porque creio verdadeiramente nEle, mesmo quando todos os ventos parecem contrários.
Deixo aqui para vocês minha reflexão sobre o Deus que eu amo e que nunca duvido, me ama também. E, creiam, não sou nenhuma exceção...

Leticia Thompson

sábado, 30 de maio de 2009

Amélia de hoje © Letícia Thompson

Amélia que era mulher de verdade.
Eu sou apenas uma mulher.
E gostaria de reinvindicar o direito de sê-lo.

Sou vaidosa.
Uso baton pra dar cor à minha vida.
Maquiagem para parecer mais bonita.

Não faço tudo com perfeição; alguns fios de cabelo branco,
apesar de todas as tentativas para evitá-los, aparecem.
Uso cremes pra retardar o envelhecimento e se à noite tenho
dores de cabeça é porque me sinto cansada.

Nem sempre estou disponível e pronta e cometo erros.
Me engano, como qualquer outro ser humano normal.
Gosto de roupas, sapatos, jóias, perfumes e flores.
Um minuto de atenção me faz ganhar todo o dia.

Sou sensível, fraca, frágil.
Sou forte quando preciso.
Minha única busca: o amor e tudo o que dele resulta:
crianças, trabalho, dia-a-dia e felicidade.

Mas vou além: quero segurança, andar de mãos dadas, ser
pega no colo e ser chamada de rainha.

Minhas lágrimas me traem quando menos espero.
E desespero. Detesto a solidão, a falta de atenção.
Sou impaciente e não gosto de esperar.

Não quero ser objecto e nem ter dono.
Sou capaz, por mim mesma, amando, de me entregar de todo
e ser fiel.
Sem amarras, simplesmente por amor.

Posso ferir, como todas as rosas.
Mas perfumo também, dou encanto.
Ilumino o amor como só as mulheres sabem fazer.
Compenso, se assim posso dizer.

Há sempre um preço para a felicidade e tocar nela é aceitar
pagar esse preço.

Sou uma Amélia dos tempos modernos.
Mais independente, sabendo o que quer.
E o que quero é ser eu mesma.